domingo, 5 de agosto de 2012

Atualização do Atlas Eólico Brasileiro pode ficar só na promessa



Embora o documento seja considerado importante, principalmente para novos investidores que desejam entra no mercado de geração dos ventos, Cepel evita falar do assunto

A atualização do Atlas Eólico Brasileiro é considera importante para especialistas do setor de energia elétrica, principalmente para novos investidores que ainda não entraram no mercado de geração dos ventos. No entanto, apesar de prometido há anos, o documento não deve ser publicado tão cedo.

Uma fonte diretamente ligada ao projeto, tocado pelo Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel) da Eletrobras, garante que nada mudou desde que o Jornal da Energia publicou, no ano passado, uma matéria alertando que o atlas estava parado, embora tenha verba liberada há dois anos. A fonte revela que o Tribunal de Contas da União (TCU) esteve no Cepel em meados do ano passado para verificar a situação e chegou a dar um prazo de 20 dias para o centro resolver se tocaria o projeto ou devolveria o dinheiro.

"Embora a direção da empresa (Eletrobras Cepel) anuncie na Rio + 20 que o projeto está em andamento, não tem nada. Isso não é verdade. Parece que existe algum interesse por trás disso que impede a atualização do atlas", diz. "Não importa quem tocará o projeto, o que importa é que ele saia, pois é uma oportunidade boa para desenvolver energia no Brasil. Na época em que o TCU pressionou houve até uma movimentação... mas até agora nada foi feito".

Lançado em 2001, também pelo Cepel, o primeiro atlas eólico nacional estimava que o potencial brasileiro é da ordem de 143 mil MW. Este estudo, entretanto, contempla medições realizadas a 50 metros de altura. Segundo técnicos do Ministério de Minas e Energia, medições prévias apontariam que o potencial eólico do Brasil pode ultrapassar os 350 mil MW caso sejam feitas medições entre 80 e 120 metros de altura.

Na opinião de um especialista — que inclusive participou do planejamento e implantação de empreendimentos do Proinfa — há interesses claros que explicariam a não publicação do documento. "Me parece a boa e velha reserva de mercado, uma vez que o altas só ajudaria a quem ainda não está no segmento."

Para o diretor presidente da MultiEmpreendimentos, Pedro Cavalcanti - que também acumula o cargo de diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) para a região Nordeste - não há dúvida da importância da atualização do atlas. "Sabemos que o documento não é definitivo, mas orienta as estratégias de investimento. É bem sabido que quem tem as medições não divulga esses dados. Trata-se de democratizar a informação."

Cavaltanti explica que a atualização iria além de mostrar o potencial de geração. "O documento é importante porque ajuda a identificar questões ambientais, de infraestrutura, de transmissão de energia, por exemplo. Além do mais, essas informações são preciosas para se aperfeiçoar um projeto."

O executivo concorda que o novo atlas beneficiaria, principalmente, novos players que almejam desenvolver uma planta eólica, uma vez que as empresas que já estão no setor possuem suas próprias medições.

A reportagem buscou junto ao Cepel informações sobre o andamento do projeto, mas a entidade diz apenas que não vai se pronunciar sobre a questão. 


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