segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Abeeólica quer mais prazo para cadastro nos leilões de energia

Entidade crê em cerca de 10.000MW em projetos no certame, mas pede mais tempo ao governo
A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) está otimista com a divulgação, pelo Ministério de Minas e Energia, de que serão realizados no segundo trimestre um leilão de energia de reserva e um A-3. Os certames vão contratar energia de parques eólicos, além de usinas a biomassa, gás e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). A entidade acredita que cerca de 10.000MW em empreendimentos eólicos têm interesse para se cadastrar na licitação, mas pede mais tempo ao governo. 
"Na nossa opinião, o prazo ficou muito apertado. São necessários mais 45 dias, uma data até o final de maio", analisa Ricardo Simões, presidente da associação. De acordo com o despacho publicado nesta quarta-feira (2/2) pelo MME, os investidores têm até as 18 horas do dia 18 de março para se cadastrar e habilitar tecnicamente junto à Empresa de Pesquisa Energética (EPE). 
A entidade também tem a expectativa de que o certame contrate "no mínimo" 2.000MW em parques eólicos o que, segundo Simções, é o necessário para "consolidar as indústrias que estão sendo atraídas para o País e os empregos que estão sendo gerados". Em 2010, os leilões de reserva e de fontes alternativas viabilizaram 70 usinas de geração a partir do vento, somando uma potência instalada de 2.047,8MW. 
Nos certames do ano passado, a energia eólica também chamou a atenção por atingir um patamar de preço antes inimaginável - uma média de R$130 por MWh. Simões explica que o valor foi fruto de uma série de fatores e que, até por isso, é difícil prever se esse nível de custo será mantido. "Houve competição, recessão mundial, câmbio valorizado. A combinação desses fatores não vai se repetir indefinidamente. Então vai depender muito do momento em que acontecer o lelão, se isso vai se repetir", pondera o executivo, que lembra que a Europa pode estar dando sinais de sair da crise com as recentes medidas econômicas. 
O presidente da Abeeólica ainda destaca que houve avanços na questão da transmissão da energia que será gerada pelas usinas a serem construídas. Segundo ele, o cronograma das ICGs - centrais compartilhadas para o escoamento da energia dos projetos - prevê a entrada das linhas em operação na mesma data de funcionamento dos parques eólicos. "Claramente, houve uma evolução", aponta o executivo. 
Inovação
A associação que representa os investidores eólicos está, no momento, criando um grupo de trabalho para incentivar o desenvolvimento de pesquisas e inovações no campo. "O que o Brasil precisa, efetivamente, é instalar campos de teste de tecnologia para que a gente passe a ter o domínio de todos os elos da cadeia de suprimento. Aí você passa a ser competitivo em todas áreas", aponta Simões. 
Segundo ele, a Abeeólica está buscando diálogo com segmentos do próprio setor e do governo com o objetivo de instalar campos de teste e centros de tecnologia no País. "Para testar aerogeradores, resistência de pás, efeitos dos raios ultravioleta no nosso clima, entre outras questões", resume o executivo.

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