sexta-feira, 16 de abril de 2010

Estudo apresenta novas áreas para implantação de parques eólicos

Locais como o interior de Minas Gerais, da Bahia e de São Paulo surgem como opção

No primeiro leilão de energia eólica do País, promovido em dezembro, o Ceará apareceu como o Estado com mais projetos cadastrados, seguido por Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. As regiões que registraram mais empreendimentos no certame são justamente as que aparecem no Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, estudo encomendado em 2001 pelo Ministério de Minas e Energia, como as mais promissoras para a fonte. Por meio de medições de vento, clima e solo, foi traçado um mapa com as regiões que apresentariam as melhores condições para a geração de energia pela força dos ventos.

“Os investidores sempre fazem suas próprias medições, mas o atlas é um indicativo que mostra onde eles devem focar”, explica o pesquisador do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), Antônio Leite de Sá. Atualmente, ele trabalha no desenvolvimento de uma nova versão do documento, que trará dados atualizados. No atlas antigo, com medições feitas a alturas de até 50 metros, o potencial brasileiro foi estimado em 143,5GW. Com o desenvolvimento da tecnologia, as torres eólicas ficaram cada vez maiores, o que deixou o mapeamento feito em 2001 defasado.

Na nova versão, as medições serão feitas a 150 metros – e o Cepel não descarta mapear até mesmo alturas de 200 metros. O estudo, que deve ser concluído em até dois anos, mostrará um potencial eólico ainda maior para o País. “Eu trabalho com uma estimativa de 250GW, para ser conservador. Há quem fale em até 300GW”, adianta Antônio. Segundo o pesquisador, a atualização do atlas não somente aumentará numericamente o potencial eólico, mas também apontará novos pontos de atenção para os investidores.

“Em áreas com vegetação mais densa ou terreno mais acidentado, há mais ganhos conforme cresce a altura da medição. Locais como o interior de Minas Gerais, da Bahia e de São Paulo devem ter um grande crescimento”, prevê o engenheiro. No leilão eólico de dezembro, São Paulo e Minas Gerais não tiveram nenhum projeto cadastrado – uma realidade que pode mudar com as novas medições do Cepel.

Os próprios locais de medição, porém, muitas vezes são um ponto de dificuldade para pesquisadores e investidores. A Wobben, fabricante de aerogeradores estabelecida em Sorocaba (SP), implantou parques eólicos no País ainda entre 1998 e 1999, antes da publicação da primeira versão do Atlas. Segundo o gerente geral administrativo da empresa, Fernando Scapol, a tarefa sofreu com transtornos devido principalmente à dificuldade de acesso, à falta de estrutura dos locais medidos – que muitas vezes não tinham sequer energia elétrica – e à depredação. Este problema, aliás, também tem sido detectado pelo Cepel em seus trabalhos. “A maior dificuldade é manter a máquina instalada, enfrentando perigos de vandalismo e roubo dos aparelhos”, aponta Antônio.

De acordo com o pesquisador do Cepel, o novo atlas deverá ser atualizado todos os anos com dados sobre ventos, clima e terrenos. O estudo, entretanto, contemplará apenas o território em terra firme, sem abordar os ventos marítimos – a chamada geração offshore, instalada em alto mar e já bastante difundida na Europa. “É possível que em um segundo estágio façamos algumas medições, podemos realizá-las se houver tempo. Mas ainda não é algo necessário. O Brasil tem ainda muitas áreas onshore a serem exploradas”, conclui Antônio.

Fonte: Luciano Costa - Jornal da Energia - 15 de Abril de 2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário