19/01/2012

Situação da CEA põe em risco cronograma de eólicas

Por Luciano Costa - Jornal da Energia
Inadimplência da companhia do Amapá, que participou de leilão de 2010, coloca entraves a financiamentos do BNDES para usinas
Os problemas financeiros da CEA, estatal de energia do Amapá que soma dívidas e inadimplência junto ao setor, começa a ameaçar não só seus credores, mas também a expansão da matriz brasileira e outros investidores. Isso porque a situação da companhia impede que ela possa assinar os contratos de compra e venda de energia fechados nos leilões promovidos pelo governo. Em 2010, por exemplo, a estatal comprou 26% da produção futura das usinas que participaram do certame de fontes alternativas. Foram mais de 400MW, sendo 90% de parques eólicos.
A impossibilidade de assinatura dos contratos acontece devido ao fato de a CEA não ter sequer contrato de concessão, uma vez que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pediu a caducidade da autorização da companhia ainda em 2007. A empresa também não é agente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), pois faz parte dos sistemas isolados. "A CEA é inadimplente no setor. Ainda que ela assinasse um contrato, o BNDES não aceitaria. O banco considera qualquer coisa que a empresa assinar como um crédito podre", explica Élbia Melo, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
A entidade que reúne os investidores na geração a partir dos ventos tem acompanhado atentamente a questão. Os parques do leilão de 2010 precisam iniciar a operação em janeiro de 2013 e, como os empreendedores acabaram travados no BNDES, há o risco de atraso. "O contrato é um recebível para o empreendedor, e ele leva isso no BNDES para conseguir o empréstimo. Aí o BNDES não liberou esses recursos referentes ao montante da CEA, que é uma quantia razoável. Isso vai reduzir a quantidade de dinheiro que as empresas podem pegar no banco", detalha Élbia.
Parte dos empreendedores tem conseguido se virar com recursos próprios, aportes de fundos ou até mesmo empréstimos-ponte. Mas algumas companhias ainda estão à espera dos recursos do banco, o que compromete os cronogramas. A executiva da Abeeólica lembra que o parque de Cerro Chato (90MW), da Eletrosul, o primeiro viabilizado em leilão a gerar, levou cerca de um ano e meio para ficar pronto.
Para resolver o assunto, a Abeeólica teve reuniões com Aneel e Ministério de Minas e Energia. Élbia admite que "houve falha" do governo e da agência em não perceber antes que a entrada da CEA nos certames poderia causar problemas. Mas diz que uma solução está próxima. A ideia seria desclassificar a CEA da licitação de 2010 devido à inadimplência. Com isso, os contratos da empresa seriam distribuídos entre as demais concessionárias. "O processo está dessa forma e a decisão vai ser tomada em uma reunião de diretoria, esperamos que ainda neste mês. Já está nas mãos do relator, o diretor Julião Coelho".
O presidente da CEA, José Ramalho, garantiu na semana passada, em conversa com o Jornal da Energia, que a empresa passou a honrar seus compromissos, o que poderia dar maior tranquilidade aos novos credores. Para Élbia Melo, "o problema estrutural da CEA tem que ser resolvido, o que leva tempo", mas é preciso preservar o mercado. "As empresas tinham que ter pego o dinheiro do BNDES no ano passado para fazer os parques. As usinas precisam operar em janeiro (de 2013) e nem sequer conseguiram os empréstimos", lamenta.
O Ministério de Minas e Energia afirma, por meio da assessoria de imprensa, que "a responsabilidade sobre os leilões é da Aneel". A pasta, porém, se preocupa com o problema e enviou, em 27 de dezembro, uma carta em que pede que o órgão regulador resolva a questão o quanto antes.

05/01/2012

Aneel aponta 8,8GW em usinas atrasadas e sem previsão de operação; quase 1GW é de eólicas

Relatório de fiscalização da agência tem térmicas como maiores vilãs, com 4,3GW em projetos com problemas de cronograma
O último relatório de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que data do final de dezembro, aponta que 8.845MW em projetos de geração estão com problemas de cronograma e sem previsão de entrada em operação. Desse total, 4.600MW são vistos como empreendimentos com "graves restrições" e apontados em vermelho no documento. Tais complicações podem ser decorrentes de fatores como suspensão do processo de licenciamento, demandas judiciais, solicitação de rescisão amigável do contrato de concessão ou até mesmo declaração de inviabilidade de execução devido a questões ambientais. 
De acordo com os dados, as maiores vilãs são as termelétricas, que respondem por quase metade das usinas sob risco de não cumprir os prazos estabelecidos. Entre as plantas a combustíveis fósseis, são colocados pela agência reguladora 2.328MW como sem qualquer previsão de início da geração de energia. Outros 499MW estão também sem data para entrar, mas somente com a luz amarela ligada - o que representa entraves como falta de licença ambiental, obras não iniciadas ou contrato de combustível indefinido. 
Nas geradoras a biomassa, são enumerados 1.312MW em usinas com problemas e 243,2MW com restrições graves, somando 1.555MW sem expectativas de cumprimento do cronograma. Aparecem nessa lista seis projetos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) que representam 137MW em potência. Essas usinas, enquadradas no programa do governo federal, teriam garantida a venda de energia por 20 anos para a Eletrobras. 
Entre os parques eólicos, que ultimamente são vistos como as "meninas dos olhos" do setor, há 990MW com indícios de atraso, sendo 562MW vistos como casos mais complicados. Esse número, porém, está concentrado em três usinas com problemas, como a de Quintanilha Machado, no Rio de Janeiro, que pediu rescisão de contrato amigável junto ao Proinfa. Já os outros 427MW para os quais a Aneel alerta se dividem entre 125 empreendimentos. 
As hidrelétricas apresentam também complicações, com 2.315MW sem projeções para geração de energia. Desses, 681MW são mais problemáticos. A maior parte dos apontamentos no relatório da Aneel, porém, é de usinas licitadas no modelo antigo do setor elétrico e que estão travadas devido a problemas ambientais - como as UHEs Pai Querê, Couto Magalhães e Itaocara. 
Das plantas licitadas mais recentemente, apenas Teles Pires, Colíder e Santo Antônio do Jari são vistos com restrições, mas, ainda assim, com a expectativa de cumprimento dos prazos e, até mesmo, de antecipação.
Já nas hidrelétricas de pequeno porte, as PCHs, aparecem 1.156MW sem expectativas de conclusão, dos quais 784MW com entraves maiores. Dessas, três são usinas do Proinfa, todas vistas como com graves complicações e somando 32MW com a luz vermelha acesa. 
Somando todas as fontes, o levantamento da Aneel prevê a entrada em funcionamento de 10.745MW em novas usinas ao longo de 2012. Em 2012, devem ser outros 10.886MW a começar a geração. Ao todo, o relatório contempla 50.625MW em projetos fiscalizados, com operações previstas entre 23 de dezembro de 2011 e o final de 2019.

01/01/2012

2012 - Ano do Mercado Livre de Energia


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A campanha 2012 - Ano do Mercado Livre de Energia tem o objetivo de valorizar as contribuições que o mercado livre de energia elétrica oferece à economia brasileira, ampliando o conhecimento sobre diversos aspectos do seu funcionamento a vários segmentos da sociedade, além de propor aprimoramentos regulatórios e de mecanismos de gestão, de modo a potencializar benefícios para todos: governo, indústria, comércio e consumidores.


A campanha é uma realização das associações Abeeólica (energia eólica), Abiape (investidores em autoprodução de energia), Abrace (grandes consumidores industriais de energia e consumidores livres), Abraceel (comercializadores), Abragel (geração de energia limpa), Abragef (geração flexível), Abraget (geração térmica), Anace (consumidores de energia) e Apine (produtores independentes e  geradores de energia elétrica).

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26/12/2011

Espanholas Iberdrola e Gamesa firmam nova aliança

Ibedrola vai utilizar ao menos 50% de máquinas da parceira em suas usinas até 2022
As espanholas Gamesa e Iberdrola fecharam na última quarta-feira (21/12) um novo contrato para fornecimento e manutenção de turbinas eólicas até 2022. As duas empresas consideraram este novo contrato de cooperação mais flexível e adaptado à situação atual do mercado do que um anterior, que havia sido firmado em 2008 e que foi posteriormente suspenso. Segundo as companhias, o acordo vai proporcionar maior estabilidade e, ao mesmo tempo, permitir que as duas mantenham a liderança no setor éolico.
Pelo novo acordo, a Iberdrola assume o compromisso de comprar 50% de turbinas eólicas Gamesa no período entre 2013 e 2022 ou 3.800 MW em capacidade instalada - o que vier primeiro.
Este acordo incluiu ainda o fornecimento de serviços de operação e manutenção, por um período de três anos, de 1.748,3 MW de turbinas G4X (650 kW) e G5X (850 kW) instaladas em Portugal e na Espanha. Outros 2.312 MW, em aerogeradores G8X (2 MW) deverão receber por mais um ano os serviços de manutenção da Gamesa.
Por último, as empresas espanholas promoverão pesquisas na busca do aumento da confiabilidade das turbinas eólicas, estendendo seu ciclo de vida e a taxa de conversão dos aerogeradores. A parceira ainda buscará oportunidades para instalação de futuras eólicas offshore.

20/12/2011

Especialistas encaram leilão A-5 como a hora e a vez dos parques eólicos

Com poucas hidrelétricas e dúvidas sobre usinas do Parnaíba, a aposta é em uma contratação massiva de energia do vento
O leilão A-5 desta terça-feira (20/12) é considerado “atípico” por especialistas do setor. Isso porque as hidrelétricas previstas para a licitação não receberam licenças ambientais a tempo e as termelétricas a gás enfrentaram dificuldades em obter contratos de fornecimento do insumo. Com isso, é grande a expectativa em cima da energia eólica, que, pela primeira vez, entra nesse tipo de licitação, com cinco anos de prazo para início da geração.
O início do suprimento dos empreendimentos contratados está previsto para 1º de janeiro de 2016, com o fechamento de contratos nas modalidades por quantidade de energia, por 30 anos, para fontes hídricas, e por disponibilidade, por 20 anos, para eólicas e termelétricas. Ao todo, serão 6,2 GW em projetos habilitados, sendo 5,1GW em eólicas e o restante distribuído entre hidrelétricas, PCHs e biomassa.
Segundo o professor de energia elétrica da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Huakai, esse volume de projetos eólicos, tem um sentido importante. Isso porque a fonte era considerada “antieconômica”, de 2005 até 2008. Com a crise mundial, houve redução dos custos, que agora estão baixos e levaram essas usinas a ganhar mercado, tornando a energia do vento atrativa.
“A fonte é importante para complementar as demais e, na minha opinião, (o patamar de) R$100 por MWh (alcançado pelas eólicas nos últimos leilões) é uma tarifa baixa. Mas ao se pensar em eólica para um leilão, é preciso muita cautela”, considera Huakai.
Para o professor, é preciso cuidado com os aventureiros - pessoas e pequenas empresas que encontram boa localização de vento, entram no leilão sem dinheiro, vendem a energia e depois saem em busca de capital. Ele também considera que, devido à importação de equipamentos, há um risco cambial alto, por conta da turbulência do mercado mundial.
Huakai também aponta que o Brasil tem tradição em hidrelétricas e vê no pequeno número de usinas da fonte no leião – apenas o Complexo Parnaíba e a UHE São Roque – um risco para o abastecimento no médio prazo. “Já está confirmada a presença do fenômeno La Niña para 2014 e, com isso, quem vai suportar a demanda são os reservatórios da região Sudeste, que também será atingida pelo fenômeno”, explica. Ele também critica o pouco tempo para levantar os projetos. “Estamos realizando um leilão A-5, que tecnicamente é uma A-4”, diz, devido à data do certame, no final de dezembro.
Já o pesquisador do Gesel - UFRJ, Guilherme Dantas, não considera esse certame diferenciado e também não crê que o preço das eólicas vá fugir do patamar alcançado nos leilões deste ano. “Eu acredito num leilão restrito para as eólicas, mas com bom nível de competitividade”, pontua.
Quanto aos preços fixados para o leilão, o diretor executivo da PSR Consultoria, Jorge Drinekenreich, avalia que a pouca oferta de projetos hídricos deverá fazer o preço baixar e a eólica se manter próxima dos R$ 100 por MWh.
“É pena que as térmicas a gás não vão entrar, e a biomassa é muito boa. Já a PCH vive um momento de purgatório: o custo da construção civil aumentou muito”, analisa.
O especialista também é cético quanto a alguns projetos colocados no certame. “As hidrelétricas do Parnaíba, que já foram ofertadas sozinhas em leilão anterior, não despertaram atenção. Portanto, só resta a eólica”, considera. A opinião lembra críticas da Chesf, que vê pouca atratividade no Complexo Parnaíba. As usinas, que não foram viabilizadas em 2010, ainda tiveram a tarifa-teto e o orçamento previsto apertados pelo governo.
Diante desse cenário cheio de incertezas, ninguém quis arriscar quantos MW serão contratados no certame. Mas o domínio da energia dos ventos é uma certeza. “Para competir com a eólica só mesmo as térmicas à gás. Como elas não vão estar presentes, sem dúvida, esse leilão será raro “, finaliza Drinekenreich.

09/12/2011

Renova Energia decide ficar de fora do leilão A-5 e não aporta garantias

Companhia, que tinha 10 projetos eólicos habilitados, diz que vai focar desenvolvimento de usinas
A Renova Energia comunicou ao mercado nesta quinta-feira (8/12) que desistiu de participar do leilão A-5, marcado para 20 de dezembro. De acordo com informações enviadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa não aportou garantias referentes a seus 10 projetos eólicos que haviam sido habilitados para a disputa.
O certame contratará usinas para início de geração em 1º de janeiro de 2016. Participarão usinas eólicas, plantas a biomassa, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e hidrelétricas, sendo que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) habilitou 6,2GW para a licitação. Os empreendimentos da Renova somavam 211MW.
A Renova destaca que, nos últimos cinco meses, comercializou 613MW de capacidade em novos projetos a partir dos ventos. Desse total, foram 213MW no mercado regulado e 400MW no livre, em acordo fechado com a Light, que entrou no bloco de controle da companhia recentemente. A capacidade total da empresa mais que dobrou, para 1.110MW, com início de operação distribuído ao longo dos próximos cinco anos.
"Desta forma, a companhia decidiu, neste momento, concentrar seus esforços na implantação dos parques eólicos e na preparação para o importante crescimento conseguido", explica a Renova. A companhia ainda lembra que as usinas retiradas do A-5 continuam no porfolio e estão prontas para participarem "nos próximos leilões regulados ou no mercado livre".